Corias vivem uma guerra de nervos

Sul aumenta alerta e ameaa atirar se Norte voltar a invadir a zona desmilitarizada, que sofreu trs violaes desde sexta-feira

SEUL - As Corias do Sul e do Norte puseram ontem mais lenha na fogueira diplomtica que comeou a queimar h quatro dias, quando os norte-coreanos iniciaram suas incurses militares na localidade de Panmunjom, na zona desmilitarizada entre os dois pases: Na sexta-feira o exrcito do Norte mandou 100 soldados  regio; no sbado, 200; e no domingo, 180. O presidente sul-coreano, Kim Young-sam, alertou Pionguiangue que as "inconseqentes provocaes" no iro mais ser toleradas, aumentou o alerta militar e deu oprens de atirar se houver nova incurso. Os norte-coreanos acusaram seus vizinhos de estarem preparando uma invaso a seu pas, com a ajuda militar dos Estados Unidos.

Violao - Os sul-coreanos tentaram ontem angariar o apoio mundial  sua denncia contra a Coria do Norte pela violao da trgua acertada em 1953, que acabou com a guerra entre os dois pases. O porta-voz do ministro do Exterior, Suh Dae-won, disse que a Coria do Sul pediu a 30 pases, entre eles Estados Unidos, China, Japo e Rssia, para que pressionassem Pionguiangue a respeitar o armistcio de mais de 40 anos. Segundo indicou Suh, o pas pensa at em recorrer ao Conselho de Segurana das Naes Unidas contra as agresses.

O ministro da Defesa sul-coreano, Lee Yang-ho, disse ontem que as tropas do pas, apoiadas por 37.000 soldados americanos, estariam prontas para responder a qualquer agresso militar de seus vizinhos. Ele revelou ter se reunido com os chefes militares do pas para decidir como agir frente s provocaes. Segundo a agncia Yonhap, as tropas foram instrudas ontem para atirar em qualquer soldado norte-coreano que cruzasse a partir de ontem a fronteira com a zona desmilitarizada.

O Comando das Naes Unidas considerou a invaso norte-coreana de domingo uma "violao significativa" do armistcio, mas agregou que no havia motivo para um alarme. A mesma opinio  partilhada pelo governo americano. Mesmo assim, os presidentes Kim Young-sam e Bill Clinton iro se reunir na prxima tera-feira, na cidade sul-coreana de Cheju, para discutir qual a melhor atitute frente s movimentaes militares norte-coreanas.

Um editorial no jornal do Partido Comunista da Coria do Norte, Rodong Sinmun dizia ontem que os vizinhos do sul enfrentariam um "desastre irrevogvel" caso ignorassem os alertas de Pionguiangue sobre o que considerava ser "movimentaes beligerantes". Os sul-coreanos realizaram exerccios militares, do dia 28 do ms passado ao ltimo dia 2, reunindo as trs Foras Armadas. Alm disso, Seul e Washington examinam a possibilidade de reforar a vigilncia sobre a Coria do Norte, principalmente com avies-radar.

Tratado de paz - Muitos analistas acreditam que Pionguiangue espera, com suas supostas provocaes, obrigar os americanos a iniciar conversaes bilaterais. O objetivo seria substituir o velho acordo do armistcio por um tratado de paz negociado em separado. Assim, os norte-coreanos passariam por cima do governo de Seul, que consideram um "marionete". "Eles esto apenas pondo um ponto de exclamao na sua afirmao, feita ao longo dos ltimos dois anos, de que o armistcio est morto", analisou Jim Coles, porta-voz do Comando das Naes Unidas.

